Ter�a-Feira, 27 de Julho de 2021
Pesquisa no site:

Artigos




Já é tempo de revisar nossos livros (era - Anistia, Ampla geral e irrestrita...)

Lauro Oliveira Lima (18/07/2008)

Já é tempo de revisar nossos livros

para quem? Quem deu a anistia foi quem se locupletou com ela.

Li no LE MONDE. No dia 28/06/2008, sobre um crime de guerra que aconteceu na região de Maillé, na França e que um promotor alemão, onde os crimes de guerra nunca prescrevem, resolveu reabrir o caso. Quando vi a coragem desse promotor resolvi procurar onde está a coragem de nossos políticos.

Onde estão os torturadores da ditadura? Jovens foram mortos nas ruas, muitos, na base da pancada. Jovens foram mortos nos porões da ditadura militar. Onde estão os assassinos? Ficaram impunes. O tempo levou (lavou) a culpa deles para longe. Eles ao fazerem de conta que anistiavam quem lutava pelo restabelecimento da democracia se auto anistiaram. Mas as famílias que perderam seus entes queridos ou tiverem algum familiar perseguido ficaram em frangalhos. Será que crime contra a humanidade pode prescrever?

Por que o governo do PT aceita isso tão fácil? Pergunto-me há muito tempo por que a prefeitura do PT em Fortaleza fez a restauração do monumento a um General que foi o primeiro ditador (presidente segundo eles) depois do golpe de militar de 1º de abril de 1964? Por que não demolir aquele ícone de uma era negra, no meio da cidade, e construir ali uma praça para a população. Que aberração!

Para quem viveu de perto a ditadura militar, para quem se esgueirou pela sala principal da casa do seu avô para ver de perto aqueles homens armados com metralhadoras e fuzis tentarem adentrar o apartamento do 8º andar do Edifício Fortaleza, para prender seu pai - e só não entraram porque seu avô, seu Alcides Santos, disse que da porta eles não passavam sem um mandato - parece que o tempo parou ali. Não houve resgate da cidadania. Não houve resgate de nada.

Os que esquecem coisas como essas são apenas homens acuados, com medo de mexerem no vespeiro que ainda existe - pelo menos no imaginário deles. Todos parecem ter esquecido tudo que aconteceu. Essa história ainda não foi escrita, e, me parece, jamais será.

A Anistia pode tirar a culpa jurídica de alguns, mas não altera a história. Certos nomes, em nossos livros deveriam constar como ditadores. Não houve revolução: houve um golpe militar nascido dentro de quartéis. A data não foi 31 de março. Eu sei. Eu passei 31 de março em Brasília tranqüilo com minha família. Meu pai foi trabalhar e voltou tranqüilo do MEC. Foi na manhã de 1º de abril de 1964 que a cidade de Brasília amanheceu tomada pelos militares. Lógico que eles arquitetaram esse golpe durante muito tempo, nem sei dizer quanto, mas tudo começou mesmo em 1º de abril de 1964. Então por que dizem 31 de março? Simples: 1º de abril é o dia da mentira, como tudo que eles contaram para justificar o golpe. Vamos corrigir nossa história, vamos tirar o nome dos ditadores das ruas, das praças, Avenidas e estradas, vamos derrubar seus monumentos. Construir afinal a história de um Brasil livre de novo. Só de imaginar que meu imposto serve para pagar a aposentadoria de torturadores e ditadores me revolta. 44 anos depois muitos dos criminosos já morreram, deve ser mais fácil agora. Quando será que alguém vai ter coragem de começar?

Lauro Henrique Santos de Oliveira Lima

Presidente da ACEPEME –www.acepeme.org.br

2º Secretário SINEPE-CE

Conselheiro – CME Fortaleza

Passeata dos cem mil (1968) – EU ESTAVA LÁ




Comentários


Nenhum comentário

Inserir comentário

Copyright 2011 - Col�gio Oliveira Lima - Todos os Direitos Reservados
REFFER